quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Longe da idolatria

Mogi das Cruzes recebeu o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor para uma palestra sobre o cenário político e econômico do Brasil. Valeu pela exposição nua e crua do sistema político brasileiro, falido desde que herdamos o modelo português baseado no patrimonialismo. Trata-se daquele em que pessoas tomam de assalto o poder e, em nome do Estado, fazem o diabo com as riquezas do País. Usufruindo de polpudos recursos financeiros surrupiados da população massacrada com infindáveis impostos, agem sob o manto de regimes ditatoriais ou travestidos de democráticos. Educação, saúde, segurança, habitação, saneamento básico, infraestrutura, promoção humana e etc que se lasquem. Aliás, que se lasque o povo! Esta é a tônica do mantra ainda não silenciado.

O evento foi promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) no Alto Tietê, em comemoração aos seus 55 anos. Como contemporâneos, eu e Jabor vivemos períodos idênticos do País. Claro, o conhecimento e a visão dele são mais profundos, porque é jornalista e conviveu diretamente com os homens do poder. De toda forma, compartilhamos da avaliação sobre as necessidades da Nação, assim como da admiração pelo trabalho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). 

Num breve retrospecto, Jabor passou pelas personalidades que governaram o País desde Getúlio Vargas – um mix de ditador, populista e faces democráticas –, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, da era democrática, Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo – regime militar e ditadura – até os da fase democrática mais recente: José Sarney (que assumiu porque Tancredo Neves morreu antes de tomar posse), Fernando Collor, Itamar Franco, FHC, Lula e Dilma Rousseff. 

Diferentemente dos EUA, o Brasil sofre as mazelas do colonialismo, paternalismo e patrimonialismo – herança maldita do modelo secular português. Assim, os espertalhões da classe dominante tomam conta do poder e, por demagogia ou populismo, perpetuam-se nele. Não importa se o regime é ditatorial ou democrático. A meta é a mesma: criar e adotar estratégias para o enriquecimento pessoal ou do seu grupo. Para eles, a educação não pode ter qualidade. Quanto mais analfabeto e sem cultura for o rebanho, mais fácil de ser controlado.

Nesse panorama, concordo com Jabor quando ele destaca duas personalidades que, enquanto exerceram a Presidência da República, atuaram como estadistas e não como patrimonialistas. Um foi Itamar Franco – substituto do cassado Collor que iludiu a maioria dos brasileiros e continua firme neste mister –, que teve o mérito de nomear Fernando Henrique Cardoso ministro da Fazenda, responsável pela salvação econômica e social do Brasil a partir do Plano Real. O outro foi o próprio FHC que estabeleceu as bases para o desenvolvimento sustentável da Nação. Diga-se de passagem, um avanço que seria eliminado pelos seus sucessores. 

Ao descrever a atuação de FHC, Jabor deixou de citar dois pontos que considero fundamentais. Foi na gestão dele que surgiu o instrumento essencial ao suporte das ações para estabilização econômica: a Lei de Responsabilidade Fiscal, que colocou os governos – nas três esferas de Poder – sob austera vigilância para o cumprimento do equilíbrio orçamentário, fiscal e financeiro. Também merece destaque o desempenho da sua esposa, a socióloga Ruth Cardoso, na implantação de programas de verdadeira promoção social, sem paternalismo barato. 

Nas palavras de Jabor, a eleição de Lula, em 2002, foi o pior desastre político do século. Bateu o recorde histórico da corrupção, com a ajuda de José Dirceu, Antonio Palocci, Marcos Valério, Delúbio Soares e outros da sua volumosa corriola. Já Roberto Jefferson, apesar de corrupto, teve a decência de delatar os mensaleiros – pena que livrou o chefão! 

Na visão de Jabor – com a qual corroboro –, Lula se aproveitou da baixa condição socioeducativa e cultural do povo brasileiro. Enganou a população com demagogia e gastou o dinheiro que o País não tinha em ações clientelistas. Forjou-se como ídolo e vendeu ao mundo inteiro a autoimagem de salvador dos pobres. Ao mesmo tempo, alardeou ter alcançado a melhor gestão pública da história com o crescimento do PIB de 5% a 7%. Longe dos holofotes, inchou a máquina administrativa e levou os cofres públicos à míngua. 

Mestre na arte de criar e vender ilusões, Lula ludibriou a população brasileira, governantes estrangeiros e líderes mundiais. Fez mais. Elegeu centenas de postes como prefeitos – inclusive Fernando Haddad, da maior cidade da América Latina –, muitos governadores, como Jaques Wagner, ex da Bahia, e até a presidente Dilma Rousseff. Esta última reeleita e na mira da cassação por malfeitos. 

A avassaladora multicrises nacional será um instrumento de modernização. A expectativa é a de que sirva para sepultar o modelo ultrapassado de demagogia e corrupção que engole todos os setores da sociedade. Assim como Jabor, estou otimista. Também não vejo o interino Michel Temer como solução. Entretanto, é a faísca de esperança para começar a reversão do quadro atual. 
"Os cidadãos de bem dispensam a idolatria vã."

Contudo, o único motor capaz de mover as engrenagens da retomada do crescimento econômico-social é o povo brasileiro. Mais do que nunca, a população precisa ser responsável, assumindo seu papel de recuperar o que lhe pertence: a Nação. Paralelamente, tem de ficar imune ao canto das sereias espertalhonas que, por interesse próprio, travestem-se de pseudossalvadores para permanecerem no poder e viverem às custas dos brasileiros. O Brasil não carece de autoproclamados heróis. O arsenal histórico já está repleto de gente assim, mais tarde identificada como vilã. Os cidadãos de bem dispensam a idolatria vã. Têm de fiscalizar, protestar, lutar contra a corrupção e os desmandos. Vamos todos nos empoderar e resgatar o País. O momento é agora! Valeu a palestra, Jabor!

Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Proteção à mulher

Muitas sofrem sucessivos ataques e não se dão conta da gravidade do abuso que sofrem. É o caso do marido, namorado, do companheiro que as depreciam rotineiramente. Dizem que são feias, gordas, burras... Outras apanham uma, duas, dez, inúmeras vezes. Há aquelas que são violentadas, torturadas, passam por todo tipo de privação e têm até os corpos mutilados ou incendiados. Em 77% das ocorrências, as agressões ocorrem na frente dos filhos, podendo afetar-lhes a personalidade e transformá-los nos agressores de amanhã. Nada menos que 11 mulheres por dia não sobrevivem para contar sua história de violência doméstica. São as vítimas do feminicídio que, em mais de um terço dos casos, perderam a vida nas mãos de parceiros e ex-parceiros. Este é o panorama que faz do Brasil o quinto país mais violento para as mulheres num ranking de 83 avaliados pela Organização Mundial de Saúde. 

Essa ainda é a realidade em 2016, quando a Lei Maria da Penha completou dez anos. Sancionada em 7 de agosto de 2006 e em vigor desde setembro daquele ano, a norma estabeleceu que é crime a violência doméstica – física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. Ao lado da Lei do Feminicídio, é um importante instrumento para proteger as mulheres. Contudo, falta fiscalização no cumprimento da legislação e das medidas protetivas concedidas pela Justiça que, entre outras ações, podem proibir o homem de se aproximar da mulher ou afastá-lo do lar. Outro empecilho gigante é a lentidão do Judiciário até para determinar ações de proteção. A demora só intensifica o entendimento de que o malfeitor acaba impune.

Não é só. Apesar do aumento das denúncias às autoridades, até como efeito da divulgação de casos horrendos e de abusos sofridos por celebridades como a atriz Luiza Brunet, as estatísticas demonstram que pelo menos oito em cada dez mulheres sofrem caladas. Omitem as agressões e, pior, continuam apanhando e podem ser as próximas vítimas fatais.

Por que a vítima não denuncia o agressor? Por muitos fatores. Desinformação, acesso difícil aos órgãos de proteção à mulher, medo de represálias e castigos piores, vergonha de se expor, dependência econômica e psicológica etc. Ainda impera, sim, o conceito equivocado de que o detrator põe comida em casa e é um bom pai, apesar das agressões. Público feminino: nenhum homem capaz de agredir uma mulher, fisicamente ou mesmo com palavras, é bom! É um traste, um lixo humano! Precisa ser denunciado e punido de forma exemplar!
"Nenhum homem capaz de agredir uma mulher é bom! É um traste,
lixo humano! Precisa ser denunciado e punido de forma exemplar!"

Evidente que o poder público tem de amparar a mulher que denuncia. Ela precisa de fácil acesso à rede de proteção, da rápida atuação da Justiça para afastar o agressor e de um eficaz sistema de fiscalização. Ao mesmo tempo, tem de contar com suporte para si mesma e para os filhos, caso tenha necessidade de acolhida imediata, com segurança e alimentação.

É dever do poder público garantir o acesso à rede de proteção feminina. O assunto sempre esteve entre minhas prioridades na vida pública. Enquanto deputado estadual, por exemplo, participei ativamente das ações para viabilizar a instalação da Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher em Mogi das Cruzes, efetivada em 8 de julho de 1991. Como prefeito, acolhi as solicitações das autoridades de segurança pública do Estado para, com recursos do orçamento municipal, concretizar o novo prédio da unidade, inaugurado em 18 de abril de 2006 no Parque Monte Líbano, onde está até hoje. Até o ano passado, era a única existente na Região do Alto Tietê.

Em 2005, também antes da vigência da Lei Maria da Penha, havíamos criado o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Commulher), encarregado de desenvolver ações voltadas à melhoria das condições de vida das mulheres e eliminação de todas as formas de discriminação e violência contra o público feminino, garantindo sua plena participação e igualdade nos planos político, econômico, social, cultural e jurídico. De forma oficial, organizada e efetiva, a medida veio para somar a outros programas inéditos que implantamos no sentido de atender às necessidades da população feminina. Pinço como exemplo o Pró-Mulher, clínica médica especializada na assistência às mulheres que impôs dignidade no tratamento. 

Ainda enquanto prefeito, viabilizamos o convênio com a Ong Recomeçar que recebia subvenção municipal para manter uma casa abrigo secreta. Com capacidade para atendimento de 20 mulheres, o local, mantido em sigilo, acolhia vítimas que, na avaliação da Justiça, corriam risco de morrer. Ou ainda, aquelas que viviam como reféns do medo de seus algozes, sem ter para onde ir nem meios de se sustentar. 

Ao longo dos anos, houve avanços na Cidade. Mas, ainda falta um bocado para suprir as carências que fortaleçam a rede de proteção à mulher. Um trabalho importante é a chamada Ronda Maria da Penha que foi incorporada ao Projeto de Lei da Guarda Municipal Armada por iniciativa do meu filho, vereador Juliano Abe (PSD). Ao mesmo tempo, ele cobra do governo federal a liberação de recursos direcionados à implementação e aperfeiçoamento de serviços especializados de atendimento à mulher em situação de violência, incluindo o reforço da fiscalização para respaldar o cumprimento de medidas protetivas determinadas pela Justiça. A pedido dele, a deputada federal Keiko Ota (PSB) apresentou as emendas ao Orçamento Geral da União.

Essas ações desenvolvidas em Mogi objetivam assegurar à mulher agredida todo o amparo de que ela precisa para superar o drama e seguir adiante sem ficar a mercê de novos ataques. Nessa linha de raciocínio, classifico como fundamental – e urgente – a implantação de Centros de Referência às Mulheres em Situação de Violência (CRM) para oferecer atendimento psicológico, social e jurídico. Defendo unidades com funcionamento 24 horas nos Distritos de Braz Cubas, Jundiapeba, César de Souza e no Centro. Com todas as ferramentas funcionando e a conscientização de que toda agressão precisa ser denunciada, começaremos a reverter o triste quadro de País da violência contra a mulher. 

Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ciência no combate à fome

Muita gente que assistiu à edição mais recente do reality show culinário MasterChef Brasil pode ter ficado surpresa com o desafio de preparar pratos usando plantas que a maioria costuma ver como mato. Foi um bom estímulo para a revisão de conceitos. Taioba, serralha, ora-pro-nóbis, araruta, vinagreira, mangarito, jacatupé, peixinho, azedinha, lírio do brejo, hibisco e tiririca entre outras, são alimentos nutritivos e até medicinais. 

Há 795 milhões de habitantes passando fome no planeta. No Brasil, cerca de 6% da população sofrem de desnutrição, o que representa 12 milhões de pessoas. Em 2050, o mundo terá 9,5 bilhões de moradores, o que demanda um aumento de 60% na produção de alimentos. Os dados da Organização Mundial para Agricultura e Alimentação (FAO) comprovam que ciência e vontade política, livres de tabus e preconceitos, precisam caminhar juntas para evitar que a humanidade sucumba por falta de comida. 

O atendimento à demanda projetada por alimentos depende de elevar a produção mundial para 22 bilhões de aves, 1 bilhão de porcos, 1,6 bilhão de bovinos e búfalos, 2 bilhões de ovelhas e cabras. O setor está sob pressão para melhorar suas técnicas de produção e seus métodos de alimentação desses animais, visando a produção em larga escala sem comprometer a sustentabilidade do planeta.

Também é vital expandir os resultados das culturas de extensão como soja, arroz, trigo, feijão, milho etc. O Brasil alcança, no máximo, metade da produtividade por hectare obtida em países como EUA e China. Lá, produzem 10 toneladas de trigo por hectare. Aqui, cinco.

Mas, não são apenas as grandes culturas que merecem atenção. É fundamental destacar a dieta equilibrada com a participação de hortaliças – inclusive as tradicionais focadas no reality show culinário – e frutas. São produtos que combatem doenças cardiovasculares, diabetes, úlcera, colesterol ruim e câncer entre outras. Daí a importância de cinturões verdes como o de Mogi das Cruzes e Região. É onde impera a policultura em pequenas propriedades altamente produtivas, com aplicação de tecnologia de ponta.

Dar cabo da necessidade cada vez maior de comida é uma missão que só será cumprida com atitude plural. Otimizar a produção de alimentos requer esforço interdisciplinar e multidisciplinar, envolvendo, entre tantas iniciativas, o aprimoramento de pesquisas genéticas. Falo de fortes investimentos em pesquisas e uso de altíssima tecnologia para melhorar a produtividade e recuperar áreas degradadas – 36 milhões de hectares no Brasil. No mundo inteiro, quase inexistem áreas virgens para cultivo. 

Enquanto a ciência é vital no processo, dá desespero de ver as maiores instituições de pesquisa no País agonizando por falta de investimentos. É o caso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em São Paulo, o renomado Instituto Agronômico de Campinas (IAC) está sucateado há mais de 30 anos. Refletem o fato de os governantes só investirem em iniciativas visíveis em curtíssimo prazo. Ou seja, com retorno que apareça durante o exercício dos seus mandatos. 

Além de elevar a quantidade e qualidade dos produtos, há mais medidas imprescindíveis. É preciso reduzir as perdas no trajeto entre o produtor e o consumidor, que alcançam 30%, no caso de perecíveis como os hortifrútis. Outro gargalo imenso reside na comercialização, ainda ancorada num retrocesso imperdoável por conta do desprezo governamental. Basta citar as Ceasas. Além de serem estruturas ultrapassadas, viraram quase proibitivas para quem cultiva itens perecíveis. Nos grandes centros urbanos, pululam proibições de tráfego de caminhões, num manifesto de total insensibilidade com os produtores e com a mercadoria perecível. 

Para alavancar a produção agrícola, o Brasil também carece desesperadamente de sintonia perfeita entre pesquisa, assistência técnica e extensão rural para capacitação profissional. Mas, não é só. O setor precisa receber a devida atenção. Falo da revisão da logística de transporte para privilegiar o uso de ferrovias em vez de rodovias, da manutenção de estradas rurais, de financiamentos acessíveis, de seguro rural que seja bom para o produtor e não para os bancos. Falo também de estruturas adequadas de eletrificação, telefonia e acesso à internet. Falo ainda de remover os gargalos na comercialização e reduzir a tributação sobre propriedade rural, veículos, equipamentos, insumos e produção. São medidas fundamentais para aumentar a produtividade (produzir muito mais numa área com a mesma dimensão), baixar preços, elevar a qualidade e a oferta de alimentos. 

"Haverá conflitos muito mais agudos do que os do Oriente Médio.
Aparentemente, pela guerra. Numa reflexão mais profunda, por fome."
Apesar não estar no desempenho de função pública, tenho orgulho de continuar líder rural. Defendo o setor não por ser produtor. Mas, por entender a vocação deste País para o agronegócio. Luto junto aos políticos e governantes desinformados para que enxerguem o campo, além dos cobiçados votos das cidades. 

Se a atividade produtora de alimentos, principalmente a cadeia de hortifrutigranjeiros – onde se concentram os relegados míni, pequenos e médios produtores –, não receber a legítima e merecida atenção, a população mundial será a grande sacrificada. Sem querer ser o mensageiro do apocalipse, digo que haverá conflitos muito mais agudos do que aqueles que massacram o Oriente Médio. Aparentemente, pela guerra. Porém, numa reflexão mais profunda, por fome.

Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Saudades do Masaro Nakasato, meu ídolo

"Amigo Masaro Nakasato, até logo! Muito obrigado, obrigado e
obrigado pelo tanto que fez e por tudo que foi como gente!"
Na segunda-feira (25) o guerreiro de tantas cruzadas, líder inconteste e meu amigão do peito, Masaro Nakasato, foi chamado por Deus e viajou para o paraíso celestial. Deixou um imenso vazio, porém, povoado com muita saudade e dor. Uns dez dias antes, ao saber da sua saúde debilitada, visitei-o. Foi um encontro providencial! Não sabia que seria o último neste plano físico. 

Filho de destemidos imigrantes japoneses, Nakasato nasceu na cidade paulista de Promissão, em 8 de novembro de 1931. Deus escreveu o seu destino e o predestinou para servir à sociedade, com integral desprendimento, solidariedade e amor. E assim ele cumpriu a sua nobre missão, com devoção e paixão.

Depois de passar pela rica região noroeste do estado do Paraná, chegou em Mogi das Cruzes. Era 1961, quando ele se instalou no Bairro do Pindorama, onde viveu até o crepúsculo da sua vida. Sorte da Cidade. E sorte minha. Ano de 1961: o presidente Jânio Quadros renunciou. O Brasil entrou em conflito de ordem político-ideológica, marcado pela luta contra o comunismo, insuflado pelo presidente interino João Goulart que acabou deposto pelos militares e forças conservadoras, por meio da Revolução de 31 de março de 1964. Foi exatamente nesse período difícil que conheci o Nakasato. Eu tinha 21 anos e fazia parte da Associação Rural de Mogi das Cruzes, presidida pelo também saudoso Minor Harada. 

Nakasato despertou em mim uma simpatia imediata, dessas que a gente não sabe bem de onde vem, mas tem certeza do que sente. Nove anos mais velho, ele foi um irmão, parceiro, companheiro e amigo em todos os momentos da minha existência. Como agricultores, sempre inseparáveis, lutamos o bom combate de forma intransigente em prol dos míni, pequenos e médios produtores rurais, verdadeiramente sustentáculos na produção de alimentos. Em especial, os do segmento mais difícil da lide agrícola. Ou seja, verduras, legumes, tubérculos e bulbos. 

Perecíveis e sazonais, são produtos de alto risco para quem cultiva, em função dos efeitos das variações climáticas, da alta incidência de doenças e pragas, de preços regulados pela oferta e procura – sem valores mínimos de garantia como ocorre com grandes culturas –, de perdas acentuadas no transporte, de severos gargalos na comercialização e, acima de tudo, da insensibilidade governamental na adoção de políticas públicas específicas. Com certeza, a teia de obstáculos e a sucessão de dramas nas lavouras nos uniram na batalha de despertar, nos ouvidos moucos da sociedade, a riqueza da policultura de hortifrútis para a saúde da população e para o desenvolvimento da economia nacional.

Ao lado de outros bravos companheiros, eu e Nakasato fomos para as mesmas trincheiras. Lutamos contra a feroz política tributária, pela manutenção de estradas vicinais rurais, por financiamentos acessíveis, por seguro rural em benefício do produtor e não do sistema financeiro, por eletrificação e telefonia rurais. Também nos erguemos contra o aviltante e injusto valor pago como indenização pelas terras e plantações desapropriadas pelo Estado para construção de barragens, e pelo fortalecimento do associativismo, cooperativismo e sindicalismo, entre outras incontáveis ações que devem ser registradas, relembradas e destacadas. 

Cito a intensa participação na Associação Rural de Pindorama, no Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), nas cooperativas agrícolas de Cotia, Sul Brasil, Itapeti e Agromogi. Aponto ainda a atuação fundamental nas Cooperativas de Eletrificação Rural e de Telecomunicação Rural de Mogi e Região. Ambas eram administradas pelos próprios agricultores, de forma gratuita, para beneficiar o campo com luz elétrica e telefone. Tudo foi feito de modo inédito e pioneiro, nos tempos em que o poder público e as empresas privadas não tinham interesse em empreender por não vislumbrarem retorno nos investimentos. Na conjuntura atual, com os imensos avanços tecnológicos, os mais jovens não devem ter ideia dos gigantescos avanços e benefícios que essas conquistas representaram naquela época.

É desse leal companheiro e amigão do peito, Masaro Nakasato, que faço questão de lembrar. Era o insubstituível parceiro, devotado em desfraldar nossas bandeiras de seriedade, competência e dedicação para servir o povo, cada vez que participávamos de campanhas eleitorais. Foi assim, graças ao fecundo trabalho de samurais como o Nakasato, que tive a honra de edificar minha bagagem com a história de cooperativista, sindicalista, vereador, deputado estadual, prefeito e deputado federal.

Com mérito, justiça e legitimidade, os poderes constituídos agraciaram Nakasato com diplomas e títulos honoríficos, incluindo o de Cidadão Mogiano. Do Congresso Nacional, enquanto deputado federal e presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, tive o privilégio de outorgar-lhe o Diploma de Honra ao Mérito pelos inquestionáveis e relevantes serviços prestados às comunidades agrícola e nipo-brasileira, assim como à sociedade em geral. Em que pese o incontestável significado das homenagens outorgadas, sinto que ficamos devendo à figura maiúscula e exponencial do grande cidadão brasileiro Masaro Nakasato.

Mesmo com o vazio, a saudade e a profunda dor da ausência física do Nakasato, agradeço a Deus por haver-me concedido a dádiva de tê-lo como meu grande amigo, meu irmão, meu confidente, meu ídolo. Encontro consolo na certeza de que ele não nos deixou. Apenas mudou de endereço. Suas lições, sua alegria de menino, sua energia revigorante, sua devoção ao bem, todo seu legado de ser humano excepcional permanecem em nossas almas. Da Morada do Senhor, ele zela por nós. Quando, no dia da partida, o filho primogênito Yutaka Nakasato me chamou para deixar uma mensagem ao seu pai, eu disse: “Amigo Masaro Nakasato, até logo! Deus o convidou para outras missões importantes. Só nos resta registrar uma imensa gratidão. Muito obrigado, obrigado e obrigado pelo tanto que fez e por tudo que foi como gente! Parafraseando o grande escritor e historiador Berthold Brecht, ‘há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.’ Você, guerreiro, é imprescindível!”

Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Gente de verdade

O avanço da tecnologia é importante e, claro, irreversível. Porém, há tempos, constato e sinto o desconforto de falar com gravações ao telefone. Igualmente, a imposição de digitar números para fazer manifestações e ter como resposta a frieza de áudios prontos aumenta a carência de tratamento personalizado em todas as atividades, que incluem os serviços públicos e privados. O mesmo sentimento cresce quando o retorno para uma mensagem eletrônica se limita à resposta automática de que o assunto será avaliado e haverá contato em breve. Isto não ocorre, na maioria das vezes. É a prova cabal de que nossa opinião e nós mesmos não temos a menor importância para o prestador dos serviços. 

Pinço o exemplo das empresas de call center. Quando chegaram, receberam aplausos. Parecia que, finalmente, seríamos ouvidos e teríamos solução para os problemas apresentados. Ledo engano. A novidade e a satisfação foram dando lugar ao distanciamento, à impaciência e, de alguns anos para cá, até à revolta. Descobrimos que não queriam nos ouvir. Muito menos resolver as pendências que levávamos. 

As empresas de call center perseguiam a meta de vender os produtos e serviços dos empreendimentos contratantes. Assim, ninguém para cuidar dos nossos pedidos e reclamações. Cada ligação continuou tratada com desleixo e respostas prontas, além de forçar o reclamante a esperar na linha por tempo indeterminado, ser transferido indefinidamente para sucessivos atendentes, anotar dezenas de protocolos de atendimento e, enfim, ouvir o sinal de queda da chamada. O recado é cristalino: Quer reclamar? Faça tudo de novo. 

Desde 2014, existem regras que, por exemplo, obrigam operadoras de telefonia, internet e televisão por assinatura a ligarem de volta para o cliente se a ligação cair durante o atendimento. Na prática, apenas mais motivos de reclamação por descumprimento em órgãos de defesa do consumidor. Permanece a postura de dificultar ao máximo nossas manifestações. Por outro lado, a insistência em nos procurar para tentar vender algo é brutal. Ligam em casa, no trabalho, no celular, mandam e-mails, mensagens nas redes sociais, fazem de tudo. 

O contexto só amplia nossa indignação. Sentimos a violação de privacidade. Além de sermos acionados enquanto estamos ocupados ou indispostos, tratam de assuntos que não nos interessam. Nunca das pendências que levamos. A contrariedade com o telemarketing e suas ramificações, processados por pessoa ou máquina, é maior junto ao público com mais de 50 anos. E cresce à medida que a idade aumenta. Sim. Ficamos menos tolerantes com banalidades. 

217 bilhões de dólares é o quanto custou, no ano passado, o mau atendimento de empresas brasileiras. O Brasil é um dos líderes mundiais no ranking de prejuízos causados pelo desleixo com a clientela. A pesquisa é da consultoria Accenture e considera clientes frustrados com o serviço ruim. Significa que quase 9 em cada dez migraram para a concorrência em áreas como telefonia, bancária e planos de saúde. 

A pesquisa também traz dados interessantes sobre o que quer o consumidor brasileiro. Em primeiro lugar, deseja tratamento personalizado: 68% preferem contato com um ser humano para solucionar uma demanda. Não por menos muitos enfrentam filas para pagar conta na boca do caixa em vez de usar o terminal eletrônico. 

Embora 34% digam que a via digital é sua primeira opção para chegar a uma empresa, o ambiente impessoal das telas de celulares e teclados de computadores tornou-se uma ameaça para boa parte das empresas. Em especial, para aquelas que só se preocupam em oferecer ferramenta digital a consumidores sem esse perfil. 

O empresariado tem na pesquisa uma lição elementar: é vital ser eficaz na solução de problemas. A competência para lidar com as demandas da clientela garante não apenas a satisfação (e manutenção) do cliente, mas também a grande possibilidade de conquistar outros. Isso porque o boca a boca é de longe o melhor canal para propagar informações. 

No Brasil, o boca a boca funciona mais que redes sociais, propaganda na TV ou sites institucionais. Significa que o comentário de amigos e conhecidos tem influência decisiva sobre os consumidores. Assim, podem aderir a um produto ou abominá-lo para todo sempre. A eficácia do canal vale tanto para disseminar novidades como para demonizar serviços. 

Cabe lembrar que 79% dos entrevistados na pesquisa dizem ser frustrante lidar com companhia que não facilita o diálogo. E ainda que 62% não voltam para a antiga prestadora depois de migrar para a concorrência. Perdeu, perdeu. Talvez os dados deem ao empresariado brasileiro bons motivos para rever conceitos e oferecer ao consumidor um item sucessivamente negligenciado: atenção. 
"Num mundo cada vez mais automatizado e menos
autêntico, as pessoas se ressentem do bom e velho papo."

Num mundo cada vez mais automatizado e menos autêntico, as pessoas se ressentem do bom e velho papo. Querem falar com gente de verdade, capaz de entender, de ter empatia, de tratar do problema. Como ser sociável, o humano busca a boa conversa, o diálogo, o respeito. Já ensinava Charles Chaplin, na década de 1940: “Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura.” #ficadica

Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Dias melhores

Mogi das Cruzes ostenta um título nada honroso. Levantamento da Telefônica/Vivo coloca a Cidade na quinta posição do ranking estadual de furto de cabos telefônicos. Significa que os bandidos levaram 30,5 quilômetros de cabos telefônicos da operadora, de janeiro a junho deste ano. No mês passado, o volume furtado dobrou em relação ao registrado em maio. 

Os usuários de telefone são as principais vítimas do processo. Ficam sem o serviço até que as operadoras façam a reposição do material. Pode levar dias e até semanas. Se o problema já é grande na área urbana, torna-se gigantesco na zona rural. Distantes dos centros urbanos e, na maior parte, desprovidos de sinal de celular, os moradores de bairros rurais ficam isolados do mundo até a conclusão dos reparos. 

A situação é muito pior para os produtores que dependem do telefone para para tocarem seus negócios. Vale frisar que os hortifrutiflorigranjeiros cultivados em solo mogiano respondem por expressiva parcela do abastecimento nacional. A Cidade lidera a produção brasileira de diversos itens, além de exportar uma série de outros. Sem telefonia, as atividades ficam irremediavelmente comprometidas. 

Sou de um tempo em que não havia, sequer, energia elétrica na zona rural. Vencida essa fase, o passo seguinte era garantir a telefonia nas propriedades rurais. Em 1973, quando tomei posse como vereador, fundei e passei a presidir a Cooperativa Rural de Telecomunicações de Mogi das Cruzes. Dois anos depois, conseguimos um avanço extraordinário, com a implantação de mil terminais telefônicos na Cidade e também em Suzano, Biritiba Mirim e Guararema. No ato inaugural, conversei, por telefone, com o então presidente da República, General Ernesto Geisel. Nos anos seguintes, o modelo deu origem a outras 15 cooperativas no interior do Estado.

Em que pese a revolução tecnológica, aliada à expansão da internet, na zona rural, o telefone ainda é a mola-mestra para a comunicação. São raros os pontos onde é possível, por exemplo, fazer conexões por banda larga móvel ou rede wi-fi. Igualmente, ainda é utopia imaginar que, a curto prazo, as operadoras investirão em cabeamento subterrâneo nos bairros rurais. Se o processo já tarda demais na área central, as localidades mais distantes aguardarão muito mais.

Ao mesmo tempo, a ousadia dos ladrões é tanta que o cabeamento subterrâneo inibe, mas não acaba com os furtos. No ano passado, 1,2 mil assinantes da Telefônica/Vivo em São Pedro (SP) ficaram sem telefone e internet depois que os criminosos, uniformizados e agindo como trabalhadores em obras, estacionaram um caminhão e levaram o cabo metálico que estava debaixo da terra. Isto ocorreu perto da delegacia de Polícia, na região central. 

Já a substituição dos cabos de cobre por outro tipo bimetálico, sem valor comercial, também ajuda, mas não é garantia contra novos incidentes. Os bandidos costumam furtar para checar se não terão lucro, de verdade. Da mesma forma, a instalação de mais câmeras do sistema de videomonitoramento que implantamos em Mogi, enquanto prefeito, dificulta os crimes, assim como o aumento do efetivo e dos recursos da Polícia, considerando que a impunidade ainda é um dos grandes combustíveis da marginalidade. É verdade também que o fim da grave recessão econômica instalada no País deve criar oportunidades de emprego para muitos que se desviaram do caminho do bem para tentar sustentar a família. 

"Precisamos reverter o conceito de correr atrás das
consequências, priorizando medidas preventivas."
Contudo, penso que as ações repressivas, embora imprescindíveis, sempre serão como enxugar gelo. Precisamos reverter o conceito de correr atrás das consequências, priorizando medidas preventivas. Como exemplo, cito o trabalho desenvolvido ao longo dos oito anos em que exerci o cargo de prefeito de Mogi. Investimos pesado na educação de qualidade e no desenvolvimento social, focando ocupação saudável para crianças e adolescentes e o incentivo à cidadania. 

Visando preencher o tempo ocioso dos alunos, estruturamos a rede municipal para que nosso sucessor iniciasse o período integral nas escolas. Além do conteúdo curricular, os estudantes permanecem na escola aprendendo artes, praticando esportes e desenvolvendo outras atividades importantes para sua formação pessoal. Ou seja, deixam de ficar à mercê da criminalidade. Este programa também completa a lacuna gerada pela proibição legal do trabalho antes dos 16 anos de idade. Inserido na Constituição para incentivar os menores a estudar, o dispositivo não teve o devido respaldo em investimentos públicos na educação e acabou por instituir-lhes o ócio no horário livre das aulas. 

Mas, não é só. A derrocada do império da violência exige o empenho de cada indivíduo, partindo do resgate da unidade familiar. Os pais têm de cumprir a missão de educar os filhos com valores elementares, como dignidade, solidariedade, respeito e amor ao próximo, além de religiosidade, qualquer que seja o credo. Com a presença de Deus na família, se aprende a ter fé. Evidente que os resultados não são imediatos. Porém, existe a certeza de dias melhores e de uma sociedade mais evoluída no futuro. 

Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Atitude é tudo

Em tempos de violência desenfreada contra mulheres, negros, pobres, crianças, quem tem diferentes tipos de orientação sexual, aqueles que seguem credos diversos, contra animais, contra quem é ou pensa diferente, uma postagem incomum viralizou nas redes sociais. Não trazia ataques típicos de haters (pessoas que postam comentários de ódio) nem vítimas. Relatava apenas uma atitude. Simples, porém de profundo alcance, se absorvida pela sociedade. E capaz de guiar uma imprescindível mudança de comportamento nos adultos de amanhã.
Menino Diogo aprendendo como ser um 
adulto de caráter (foto: reprodução/Facebook)

"Depois de muita conversa, castigo ontem, hoje foi o dia de levar flores para a coleguinha que ele empurrou ontem na escola. #naosebateemmulher #sóflores #sócarinho #vaiserumprincipe #nãoéfácil". Esta postagem no Facebook veio acompanhada da foto de um menino que carrega um vaso de violetas. A autora é a mãe que mora em Porto Alegre (RS). Tavane Carvalho soube que o filho Diogo, de 4 anos de idade, havia empurrado uma coleguinha chamada Isabelle, ao invés de pedir licença para passar. 

Tavane poderia ter sido indiferente ou, no máximo, dado uma bronca no filho. Ou ainda, ter feito o que, lamentavelmente, tornou-se rotina na conduta de muitos pais: brigado com a professora por não ensinar bons modos ao garoto, sob a inadmissível alegação de que determinadas lições cabem ao educador. 

Ela foi diferente. Foi uma mãe preocupada com o adulto que o pequeno Diogo irá se tornar. Não se limitou a pensar na criança que tem em casa. Mas sim, no seu dever de educar. De tomar para si a responsabilidade pela construção do caráter daquele humaninho. E o fez com maestria, movendo famílias a contribuírem com a edificação de uma sociedade menos preconceituosa, livre do conceito espúrio de que homem bate em mulher, capaz de agradecer e de pedir perdão.

Não é fácil encontrar os melhores meios de educar uma criança. A punição vazia é inútil. Tavane teve de refletir para buscar o jeito adequado de sensibilizar o filho para a gravidade da conduta errada. De fazê-lo se arrepender e de convencê-lo a não repetir o erro, em nenhuma circunstância. Com certeza, os ensinamentos que moldam o caráter vêm de berço. Processam-se no lar. 

A mãe soube do incidente quando foi buscar o menino na escola. Pensou em como lidar com a situação no caminho de volta. Ao chegar em casa, colocou Diogo em sua frente e conversou com ele, olhando nos olhos. Disse que estava muito triste. Explicou que “não se bate em colegas, ainda mais em meninas”. 

Em seguida, Tavane deixou o filho de castigo no quarto por algumas horas, permitindo apenas que fosse ao banheiro. Na hora de dormir, Diogo rezou, pediu desculpas e garantiu que jamais faria de novo. Apesar de ser doloroso para o coração de mãe, ela se manteve firme na medida corretiva. 

No dia seguinte, rumo à escola, propôs que comprassem flores para a garotinha. "Parei no mercado. Falei para ele escolher uma flor para a Isabelle. Falei para ele pedir desculpas, prometer a ela que não iria mais fazer o que fez e entregar as flores para ela fica feliz com ele", relatou Tavane ao Portal da Rede TV!

"Fica a história como inspiração para que os pais se lembrem de criar
seus filhos para o bem, para um mundo melhor e menos desigual"
Observado pela professora, que depois narrou os fatos para Tavane, Diogo pediu desculpas e deu o vaso de violetas à coleguinha. Ela aceitou o presente e retribuiu o abraço oferecido pelo menino. No final do dia, quando a mãe foi buscar Diogo, perguntou se ele havia sido desculpado. “Ele disse que sim e que não iria mais repetir o erro”. Fica a história como prova de que atitude é tudo e como inspiração para que os pais se lembrem de criar seus filhos para o bem, para um mundo melhor e menos desigual. 

Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)